A Rulebase, startup apoiada pela Y Combinator, quer se consolidar como o “colega de trabalho de IA” para empresas de serviços financeiros. A companhia levantou US$ 2,1 milhões em uma rodada pre-seed liderada pela Bowery Capital, com participação de Y Combinator, Commerce Ventures, Transpose Platform VC e investidores-anjo. Com foco em automação de tarefas de back-office e compliance, o produto revisa interações com clientes, sinaliza riscos e dispara ações operacionais com humanos no circuito de validação. Em implantação com a Rho (banco para empresas nos EUA) e também em uma instituição financeira Fortune 50, a Rulebase afirma avaliar 100% das interações, reduzir custos em até 70% e ter ajudado a diminuir escalonamentos na Rho em aproximadamente 30%.
O que é a Rulebase e a proposta de “co‑worker de IA”
O conceito de co‑worker de IA vai além de um chatbot ou assistente pontual: trata-se de um agente que participa de fluxos de trabalho críticos, monitora dados em tempo real e colabora com pessoas para garantir qualidade e conformidade. Em vez de substituir equipes, a Rulebase se posiciona como um reforço operacional e analítico que padroniza decisões, documenta evidências e mantém audibilidade — elementos vitais em fintechs e instituições financeiras.
Na prática, a plataforma examina conversas e tickets de suporte, identifica sinais de risco (como potenciais brechas de compliance) e abre tarefas de acompanhamento ou correções processuais. O objetivo é transformar atividades manuais e reativas em rotinas contínuas, com registro e contexto para que analistas tomem decisões informadas.
Quem está por trás: fundadores e origem
A Rulebase foi fundada em 2024 pelos engenheiros nigerianos Gideon Ebose (ex-Microsoft) e Chidi Williams (ex-Goldman Sachs). A startup passou pela Y Combinator (turma do outono de 2024) e, desde então, relata crescimento mensal de receita em “dois dígitos”. O background dos fundadores reúne experiência em engenharia de software e exposição a sistemas e processos do mercado financeiro, algo que dá lastro ao foco da empresa em automação regulatória e de operações.
Financiamento e apoio da Y Combinator
A rodada pre-seed de US$ 2,1 milhões foi liderada pela Bowery Capital, com participação de Y Combinator, Commerce Ventures, Transpose Platform VC e investidores-anjo. O capital será direcionado à expansão da engenharia e ao desenvolvimento de funcionalidades voltadas a investigações de fraude, preparação para auditorias e relatórios regulatórios. Em termos práticos, o novo fôlego financeiro busca acelerar a cobertura de mais fluxos de back-office, mantendo controles e trilhas de auditoria exigidas por reguladores.
Tração inicial e métricas reportadas
Segundo a empresa, a Rulebase já está em operação com a Rho e com uma instituição financeira de porte Fortune 50. Entre os resultados divulgados:
- Avaliação de 100% das interações com clientes;
- Redução de custos de até 70% em processos suportados;
- Queda de cerca de 30% nas escaladas de suporte na Rho.
Essas métricas, se sustentadas no tempo, indicam ganhos em qualidade, eficiência e previsibilidade — especialmente valiosos em ambientes regulados, onde atrasos e inconsistências podem virar risco legal ou de reputação.
Como funciona na operação diária
A plataforma analisa o histórico e o contexto das interações com clientes, gera avaliações de aderência a políticas internas e aciona atividades quando encontra desvios. Em vez de um “preto no branco”, a proposta é oferecer uma camada contínua de verificação e priorização, com humanos no loop para confirmação, ajustes e tomada de decisão final. A integração com sistemas de atendimento, gestão de tarefas e colaboração permite que as recomendações se convertam em tickets e checklists rastreáveis.
Para equipes de suporte, compliance e operações, isso significa padronizar a triagem, reduzir erros repetitivos e obter indicadores de desempenho mais confiáveis. Para executivos, a visibilidade centralizada ajuda a calibrar SLAs, identificar gargalos e antecipar riscos.
Por que isso importa para fintechs
Fintechs operam sob forte escrutínio regulatório, com margens pressionadas e crescimento acelerado. Automatizar rotinas de back-office e controles de compliance libera times para tarefas de maior valor, melhora a consistência de decisões e reduz custos operacionais. Ao avaliar 100% das interações (e não apenas amostras), a Rulebase busca elevar o padrão de qualidade, mitigando incidentes que poderiam escalar para sanções ou perdas financeiras.
Além disso, a documentação estruturada de cada verificação facilita auditorias internas e externas, encurtando ciclos de preparação e diminuindo o risco de lacunas de evidência — um diferencial competitivo em mercados onde a conformidade é condição de permanência.
Roteiro de produto: fraude, auditorias e relatórios
Com a nova rodada, a Rulebase planeja adicionar funcionalidades para investigações de fraude, preparação de auditorias e relatórios regulatórios. Essas áreas exigem coleta e reconciliação de dados, explicabilidade de decisões e mecanismos de revisão humana — um terreno fértil para agentes de IA que operam com regras claras, transparência de evidências e trilhas de auditoria.
Limitações, riscos e governança
Automação em ambientes regulados precisa de governança. Entre os cuidados necessários estão:
- Human-in-the-loop: manter a revisão humana para decisões sensíveis;
- Explicabilidade: registrar o “porquê” de alertas e recomendações;
- Privacidade e segurança: proteger dados de clientes e respeitar jurisdições;
- Monitoramento contínuo: recalibrar modelos e regras para evitar viés e drift.
A proposta da Rulebase contempla essa abordagem com humanos no circuito e foco em auditoria. Em última instância, a adoção sustentável dependerá do quão bem a plataforma se integra aos processos existentes e do rigor com que mantém evidências verificáveis.
Contexto de mercado e tendências
O avanço de agentes de IA em operações financeiras reflete uma tendência mais ampla: transformar trabalho de conhecimento em fluxos instrumentados, auditáveis e mensuráveis. Em fintechs, onde o volume de interações cresce e a pressão por eficiência é constante, soluções que ampliam cobertura (100% das interações), reduzem retrabalho e providenciam trilhas de auditoria encontram terreno fértil. A diferenciação virá da qualidade da execução, da precisão dos sinais e da facilidade de integração nos ecossistemas já adotados pelas equipes.
O que observar a seguir
- Adoção em novos clientes e setores adjacentes dentro de serviços financeiros;
- Evolução das métricas prometidas (cobertura, custos e redução de escalonamentos);
- Amplitude das integrações e a profundidade da explicabilidade nos alertas;
- Resultados das funcionalidades para fraude, auditorias e relatórios;
- Como a governança de IA é traduzida em controles práticos no dia a dia.
No curto prazo, a Rulebase tem um posicionamento claro: usar IA para padronizar e expandir a qualidade operacional em fintechs, sem abrir mão da validação humana. Se a empresa sustentar os números reportados e escalar o produto mantendo transparência e conformidade, poderá consolidar uma categoria cada vez mais estratégica: a dos co‑workers de IA para áreas críticas do mercado financeiro.


